Bem-vindos/Nhôs txiga! Pensatempos sobre línguas e literaturas de Cabo Verde. Verdianos e crioulas, amigos do "Povo das Ilhas", estudiosos e críticos, reflexões ou simples bate-papo, um mergulho na morabeza. Cabo Verde e África é o nosso lugar. Nossa voz é a PAZ que tem a cor do milho, o cheiro do Mar e a chuva braba de Deus. Mantenha
terça-feira, 10 de julho de 2012
Clarice Vieira Évora da Graça, nascida a 08 de Março de 1951 e falecida a 2 de Junho de 2012: professora, parteira, costureira, autora de músicas religiosas, uma mulher muito forte e determinada.
Último desejo: voltar a Cabo Verde, conhecer seus netos novos.
Desejo realizado.
Dai-lhe senhor o eterno descanso.
entre os esplendores da luz perpétua, descanse em paz. Que assim seja!
quinta-feira, 8 de março de 2012
FELIZ DIA MULHER
Quem é esta que surge como a aurora,
bela como a lua
brilhante como o sol,
Terrível como o exército em ordem de batalha?
(Cântico dos Cânticos)
É preciso abrir as janelas. Escancarar as cortinas. Trazer o sol para dentro de casa. Deixar o calor de seus raios penetrar em todos os aposentos.
É preciso continuar. Continuar. Continuar. Continuar. Arrumar a bagunça das crianças. Regar as plantas. Arrancar as folhas mortas da violeta cor de violeta. Tirar a poeira dos móveis. Limpar o cinzeiro das cinzas do cigarro de Albano.
As janelas estão abertas. É preciso mantê-las abertas. O sol.
Amarelo. Faz calor. Há papeis por todos os lados. Livros espalhados pelo chão. Paredes recobertas pelos super-heróis de César e de Cícero. É preciso lavar. Varrer. Passar pano no chão. (Por que Valdelice não veio? Por quê?) é preciso preparar a aula de amanhã…
FONTE: A Mulher do dia, de Ceila Ferreira, professora da UFF-Brasil - Prémio Clarice Lispector 2011
UM ABRAÇO AMIGO E MUITA CORAGEM PARA OS DESAFIOS DE CADA DIA. Beijos
bela como a lua
brilhante como o sol,
Terrível como o exército em ordem de batalha?
(Cântico dos Cânticos)
É preciso abrir as janelas. Escancarar as cortinas. Trazer o sol para dentro de casa. Deixar o calor de seus raios penetrar em todos os aposentos.
É preciso continuar. Continuar. Continuar. Continuar. Arrumar a bagunça das crianças. Regar as plantas. Arrancar as folhas mortas da violeta cor de violeta. Tirar a poeira dos móveis. Limpar o cinzeiro das cinzas do cigarro de Albano.
As janelas estão abertas. É preciso mantê-las abertas. O sol.
Amarelo. Faz calor. Há papeis por todos os lados. Livros espalhados pelo chão. Paredes recobertas pelos super-heróis de César e de Cícero. É preciso lavar. Varrer. Passar pano no chão. (Por que Valdelice não veio? Por quê?) é preciso preparar a aula de amanhã…
FONTE: A Mulher do dia, de Ceila Ferreira, professora da UFF-Brasil - Prémio Clarice Lispector 2011
UM ABRAÇO AMIGO E MUITA CORAGEM PARA OS DESAFIOS DE CADA DIA. Beijos
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
HINO CABO VERDE 1975-1996
Esta é a nossa Pátria amada
Sol, suor e o verde mar,
Séculos de dor e esperança
Esta é a terra dos nossos avós!
Fruto das nossas mãos,
Da flor do nosso sangue:
Esta é a nossa pátria amada
Viva a pátria gloriosa!
Floriu nos céus a bandeira da luta.
Avante, contra o jugo estrangeiro!
Nós vamos construir
Na pátria imortal
A paz e o progresso!
Ramos do mesmo tronco,
Olhos na mesma luz:
Esta é a força da nossa união!
Cantem o mar e a terra
A madrugada e o sol
Que a nossa luta fecundou
AUTOR: AMÍLCAR CABRAL
A República da Guiné-Bissau continua com o mesmo hino, da mesma forma que mantém o nome do partido fundado em 1956, PAIGC
Sol, suor e o verde mar,
Séculos de dor e esperança
Esta é a terra dos nossos avós!
Fruto das nossas mãos,
Da flor do nosso sangue:
Esta é a nossa pátria amada
Viva a pátria gloriosa!
Floriu nos céus a bandeira da luta.
Avante, contra o jugo estrangeiro!
Nós vamos construir
Na pátria imortal
A paz e o progresso!
Ramos do mesmo tronco,
Olhos na mesma luz:
Esta é a força da nossa união!
Cantem o mar e a terra
A madrugada e o sol
Que a nossa luta fecundou
AUTOR: AMÍLCAR CABRAL
A República da Guiné-Bissau continua com o mesmo hino, da mesma forma que mantém o nome do partido fundado em 1956, PAIGC
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
EDITERNOS RIOS DE SANGUES
É dos pés ligeiros do miúdo Zito, de seu olhar atento, de sua esperteza aguçada que nos vem a urgência de libertar a Angola.
_ Vavô! Vem depressa. Tem preso!
Velho Petelo se virou e interrogou com seus olhos pequenos piscando na luz do sol da manhã coado nas folhas da mandioqueira:
- Menino disse tem preso? Viste com teus olhos?
Arrastando a perna esquerda e seguido por miúdo Zito, atravessou na sala e saiu para o areal vermelho. (9)
O espaço Angola é cartografado em cores e contrastes. Não simplesmente algumas cores retiradas ao calhar do Arco-Íris; mas, sim, a sua representação subentendida nas chamadas cores da África: o verde, o vermelho o amarelo, reforçados desde Vidas Novas, tal como o negro simbólico associado ao Continente e ao homem africano que se pretende conscientizar. E as leituras do branco, muitas vezes em contraste com o Negro, outras em mosaicos inquietantes. Referências identitárias em conflito, uma angolanidade que urge e uma dignidade do angolano, do africano e da humanidade como meta maior.
O deslocamento das personagens, sempre presente ao longo da narrativa, é uma das metáforas do texto: o deslocamento de Domingos Xavier, que de operário e bom Pai de família, homem simples com pretensões humildes _ quase todas elas sublimadas ao futuro do Bastião _ , se transforma, no seu penoso trajeto à cidade-prisão, em um quase mártir do silêncio. Sinal que representa a resistência à violência e ao ultraje, e que vence, em nome dos outros irmãos, com a arma do riso. O deslocamento posterior de Maria e Bastião, “Mulher com Mona”, também para a cidade, à procura de Domingos; e de todos os jovens e mais velhos que se mobilizam e aderem à causa; mas o mais simbólico de todos é a ação da dupla Avô e Neto, duas gerações, a experiência- sabedoria e a continuidade-esperança, cujos percursos marcam o ritmo da narrativa, em várias sequências significativas, pelas “ruas asfaltadas no meio do rio negro que desagua na cidade branca” onde, quase sempre, se vêem “as árvores velhas chorando seiva nos passeios” (p.13). Deslocamentos do campo para a cidade, da cidade negra para a branca, do espaço interior dos personagens para o exterior, que são Angola e a luta; da alienação para a conscientização. Deslocamentos, tantos quantos necessários. E alguns deslocamentos que permanecem por fazer.
Era sempre assim: pegava miúdo Zito na mão, qualquer que fosse a hora, e lá iam para baixo, até na Companhia onde trabalhava Mano Xico, um dos afilhados do velho marinheiro. Zito gostava ir. Além de ver tudo com seus olhos curiosos, os carros bonitos que não tinha lá em cima, as casas grandes e limpas, alocava com mano Xico na quitanda da praia e depois ficava, banzo, a ouvir falar de coisas novas, coisas que, muitas vezes, repetia aos meninos da mesma idade, alguns mesmo meninos da escola que não aceitavam. (13)
Miúdo Zito são os olhos e as pernas de Vavô Petelo que, embora “Takudimoxi”, aceita o desafio de fazer a travessia de Angola, das ruas, dos musseques, da ilha, da praia, da cidade limpa e, principalmente, da Angola que existe em cada um dos personagens.
Quando, finalmente, o leitor se descobre, em plena rua da cidade, no meio da multidão atônita com a figura física imponente do Negro, ele descobre que Domingos Xavier está curvado, forçosamente curvado porque amordaçado, no seu corpo e na sua dignidade; a partir desse momento a morte antevista passa a ser uma vitória.
O enredo é uma convocação, em tempo presente/urgente, para uma melhor Angola. O texto literário é construído com um repertório lexical e com estratégias de narrativa que transferem para a materialidade da língua as propostas e questionamentos de nível temático: em que o ritmo, as figuras de estilo, os focos e a construção das personagens se harmonizam com o conteúdo do texto-projeto e do projeto-homem novo.
_ Vavô! Vem depressa. Tem preso!
Velho Petelo se virou e interrogou com seus olhos pequenos piscando na luz do sol da manhã coado nas folhas da mandioqueira:
- Menino disse tem preso? Viste com teus olhos?
Arrastando a perna esquerda e seguido por miúdo Zito, atravessou na sala e saiu para o areal vermelho. (9)
O espaço Angola é cartografado em cores e contrastes. Não simplesmente algumas cores retiradas ao calhar do Arco-Íris; mas, sim, a sua representação subentendida nas chamadas cores da África: o verde, o vermelho o amarelo, reforçados desde Vidas Novas, tal como o negro simbólico associado ao Continente e ao homem africano que se pretende conscientizar. E as leituras do branco, muitas vezes em contraste com o Negro, outras em mosaicos inquietantes. Referências identitárias em conflito, uma angolanidade que urge e uma dignidade do angolano, do africano e da humanidade como meta maior.
O deslocamento das personagens, sempre presente ao longo da narrativa, é uma das metáforas do texto: o deslocamento de Domingos Xavier, que de operário e bom Pai de família, homem simples com pretensões humildes _ quase todas elas sublimadas ao futuro do Bastião _ , se transforma, no seu penoso trajeto à cidade-prisão, em um quase mártir do silêncio. Sinal que representa a resistência à violência e ao ultraje, e que vence, em nome dos outros irmãos, com a arma do riso. O deslocamento posterior de Maria e Bastião, “Mulher com Mona”, também para a cidade, à procura de Domingos; e de todos os jovens e mais velhos que se mobilizam e aderem à causa; mas o mais simbólico de todos é a ação da dupla Avô e Neto, duas gerações, a experiência- sabedoria e a continuidade-esperança, cujos percursos marcam o ritmo da narrativa, em várias sequências significativas, pelas “ruas asfaltadas no meio do rio negro que desagua na cidade branca” onde, quase sempre, se vêem “as árvores velhas chorando seiva nos passeios” (p.13). Deslocamentos do campo para a cidade, da cidade negra para a branca, do espaço interior dos personagens para o exterior, que são Angola e a luta; da alienação para a conscientização. Deslocamentos, tantos quantos necessários. E alguns deslocamentos que permanecem por fazer.
Era sempre assim: pegava miúdo Zito na mão, qualquer que fosse a hora, e lá iam para baixo, até na Companhia onde trabalhava Mano Xico, um dos afilhados do velho marinheiro. Zito gostava ir. Além de ver tudo com seus olhos curiosos, os carros bonitos que não tinha lá em cima, as casas grandes e limpas, alocava com mano Xico na quitanda da praia e depois ficava, banzo, a ouvir falar de coisas novas, coisas que, muitas vezes, repetia aos meninos da mesma idade, alguns mesmo meninos da escola que não aceitavam. (13)
Miúdo Zito são os olhos e as pernas de Vavô Petelo que, embora “Takudimoxi”, aceita o desafio de fazer a travessia de Angola, das ruas, dos musseques, da ilha, da praia, da cidade limpa e, principalmente, da Angola que existe em cada um dos personagens.
Quando, finalmente, o leitor se descobre, em plena rua da cidade, no meio da multidão atônita com a figura física imponente do Negro, ele descobre que Domingos Xavier está curvado, forçosamente curvado porque amordaçado, no seu corpo e na sua dignidade; a partir desse momento a morte antevista passa a ser uma vitória.
O enredo é uma convocação, em tempo presente/urgente, para uma melhor Angola. O texto literário é construído com um repertório lexical e com estratégias de narrativa que transferem para a materialidade da língua as propostas e questionamentos de nível temático: em que o ritmo, as figuras de estilo, os focos e a construção das personagens se harmonizam com o conteúdo do texto-projeto e do projeto-homem novo.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
EDITERNOS RIOS DE SANGUE
Um aniversário
Diziam cartas e telegramas
da família:
- Muitos parabéns, muitas felicidades
E um irmão doente
a mãe cheia de saudades
e a pobreza
calmamente consentida na existência religiosa.
E a glória de ter um filho formado em Medicina!
Fora do lar
um ex-virtuoso amigo que se embriaga
os nossos exportados par São Tomé
a prostituição
a angústia geral
a vergonha
E a esperança de ter um dos nossos formado em Medicina!
No mundo
a Coreia ensanguentada às mãos dos homens
fuzilamentos na Grécia e greves na Itália
o apartheid na África
e a azáfama nas fábricas atómicas para matar
em massa matar cada vez mais homens
Eles espancando-nos
e pregando o terror
mas no mundo constrói-se
no mundo constrói-se.
E o nosso formado em Medicina
construirá também!
Nós com a certeza e com a incerteza dos instantes
com o direito e enveredando por caminhos escabrosos
nós os fortes fugindo como gazelas débeis.
E no mundo constrói-se
no mundo constrói-se.
Este um dia do meu aniversário
um dos nossos dias
de vida sabendo a tamarindo
em que nad dizemos nada fazemos nada sofremos
como tributo à escravidão.
Um dia inútil como tantos outros até um dia
Mas duma inutilidade necessária.
Setembro de 1951
(NETO, 1979, p 76-77)
Confiança
O oceano separou-me de mim
enquanto me fui esquecendo nos séculos
e eis-me presente
reunindo em mim o espaço
condensado o tempo
Na minha história
existe o paradoxo do homem disperso
(…)
As minhas mãos colocaram pedras
no alicerce do mundo
mereço omeu pedaço de pão.
(sem data)
(Agostinho Neto, p. 67 in ERVEDOSA, Carlos. Roteiro da Literatura Angolana. 3ed. S/C, União dos Escritores Angolanos. 1985
Diziam cartas e telegramas
da família:
- Muitos parabéns, muitas felicidades
E um irmão doente
a mãe cheia de saudades
e a pobreza
calmamente consentida na existência religiosa.
E a glória de ter um filho formado em Medicina!
Fora do lar
um ex-virtuoso amigo que se embriaga
os nossos exportados par São Tomé
a prostituição
a angústia geral
a vergonha
E a esperança de ter um dos nossos formado em Medicina!
No mundo
a Coreia ensanguentada às mãos dos homens
fuzilamentos na Grécia e greves na Itália
o apartheid na África
e a azáfama nas fábricas atómicas para matar
em massa matar cada vez mais homens
Eles espancando-nos
e pregando o terror
mas no mundo constrói-se
no mundo constrói-se.
E o nosso formado em Medicina
construirá também!
Nós com a certeza e com a incerteza dos instantes
com o direito e enveredando por caminhos escabrosos
nós os fortes fugindo como gazelas débeis.
E no mundo constrói-se
no mundo constrói-se.
Este um dia do meu aniversário
um dos nossos dias
de vida sabendo a tamarindo
em que nad dizemos nada fazemos nada sofremos
como tributo à escravidão.
Um dia inútil como tantos outros até um dia
Mas duma inutilidade necessária.
Setembro de 1951
(NETO, 1979, p 76-77)
Confiança
O oceano separou-me de mim
enquanto me fui esquecendo nos séculos
e eis-me presente
reunindo em mim o espaço
condensado o tempo
Na minha história
existe o paradoxo do homem disperso
(…)
As minhas mãos colocaram pedras
no alicerce do mundo
mereço omeu pedaço de pão.
(sem data)
(Agostinho Neto, p. 67 in ERVEDOSA, Carlos. Roteiro da Literatura Angolana. 3ed. S/C, União dos Escritores Angolanos. 1985
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
EDITERNOS RIOS DE SANGUE
Sou um simples africano que quis saldar a sua dívida com o seu povo e viver a sua época. (Amílcar Lopes Cabral: 12/09/1924 – 20/01/1973)
Lisboa 1971
A Ovídio Martins e Osvaldo Osório
Em verdade Lisboa não estava ali para nos saudar.
Eis-nos enfim transidos e quase perdidos
no meio de guardas e aviões da Portela.
Em verdade éramos o gado mais pobre
d'África trazido àquele lugar
e como folhas varridas pela vassoura do vento
nossos paramentos de presunção e de casta.
E quando mais tarde surpreendemos o espanto
da mulher que vendia maçãs
e queria saber donde... ao que vínhamos
descobrimos o logro a circular no coração do Império.
Porém o desencanto, que desce ao peito
e trepa a montanha,
necessita da levedura que o tempo fornece.
E num caminhão, por entre caixotes e resquícios da véspera,
fomos seguindo nosso destino
naquela manhã friorenta e molhada por chuviscos d'inverno
(Arménio Vieira, In Vozes Poéticas da Lusofonia.edição: Câmara Municipal de Sintra. Organização: Instituto Camões. Coordenação: Alice Brás e Maia Armandina. Mem Martins, Maio 1999, p.2)
Lisboa 1971
A Ovídio Martins e Osvaldo Osório
Em verdade Lisboa não estava ali para nos saudar.
Eis-nos enfim transidos e quase perdidos
no meio de guardas e aviões da Portela.
Em verdade éramos o gado mais pobre
d'África trazido àquele lugar
e como folhas varridas pela vassoura do vento
nossos paramentos de presunção e de casta.
E quando mais tarde surpreendemos o espanto
da mulher que vendia maçãs
e queria saber donde... ao que vínhamos
descobrimos o logro a circular no coração do Império.
Porém o desencanto, que desce ao peito
e trepa a montanha,
necessita da levedura que o tempo fornece.
E num caminhão, por entre caixotes e resquícios da véspera,
fomos seguindo nosso destino
naquela manhã friorenta e molhada por chuviscos d'inverno
(Arménio Vieira, In Vozes Poéticas da Lusofonia.edição: Câmara Municipal de Sintra. Organização: Instituto Camões. Coordenação: Alice Brás e Maia Armandina. Mem Martins, Maio 1999, p.2)
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